"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira".
(Che Guevara)
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Atual líder do Queen virou fã de Freddie Mercury fumando maconha

O ex American Idol Adam Lambert afirmou em entrevista ao jornal Huffington Post , que conheceu as músicas de Freddie Mercury enquanto fumava maconha.

Eu não conhecia muito sobre eles. Meu pai tinha os CD's, então eu ouvia algumas coisas", disse o músico sobre a discografia do Queen. Entretanto, a situação se alterou pouco tempo depois, com Lambert se tornando "fascinado" pelo trabalho da banda e de seu vocalista. "Sua energia, seu poder, eu pensei 'eu quero cantar deste jeito'".

Esta afinidade ocorreu, segundo ele, enquanto estava "fumando maconha, desenhando e ouvindo rock dos anos 70". Toda a experiência lhe serviu de base para ser membro da atual turnê que o Queen promove pelo Reino Unido, e o atual líder do quarteto garante que dividir o palco com Brian May e Roger Taylor não lhe deixa fora de si.

"Eu não me sinto intimidado. Brian e eu temos uma adorável interação, ele é um cara legal".


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Produtores de maconha entram em choque com forças libanesas


Agricultores armados com metralhadoras, foguetes lançadores de granadas e morteiros forçaram as tropas do governo libanês a abandonar uma operação para destruir lavouras ilegais de maconha no Vale do Bekaa, nesta segunda-feira, disseram testemunhas.

Não houve registro de feridos na troca de tiros, mas dois veículos das forças de segurança foram atingidos por balas, segundo uma testemunha.

Durante a guerra civil do Líbano (1975-1990), o fértil Vale do Bekaa produzia anualmente até 1.000 toneladas de resina de maconha e de 30 a 50 toneladas de ópio, usado na produção de heroína.

O cultivo foi erradicado como parte de um programa da Organização das Nações Unidas entre 1991 e 1993, mas ressurgiu enquanto as forças de segurança lutam para se impor em todo o instável país. Não há estatísticas confiáveis sobre quanta maconha é produzida no Líbano atualmente.

As forças libanesas costumam realizar operações para erradicar cultivos, mas enfrentam resistência de agricultores revoltados, que encontram nessa lavoura lucrativa e de fácil manejo meios de ganhar dinheiro para suas comunidades pobres.

Uma fonte do setor da segurança disse que as forças do governo estavam se reagrupando e planejavam uma nova operação para destruir os plantios.

Polícia faz fogueira com 7 toneladas de maconha na Jamaica

A polícia jamaicana apreendeu e fez uma fogueira com quase 7 toneladas de maconha em Kingston, capital do país caribenho. De acordo com a agência de notícias AP a maioria da droga foi apreendida este ano.

Ainda segundo informações da agência, as autoridades também destruíram cerca de 35 kg de óleo de haxixe, recolhido durante uma operação na cidade no último sábado. A Jamaica é o maior produtor e exportador de maconha do Caribe. As mudas de maconha são cultivadas principalmente em encostas de montanhas e escondidas entre outras plantações.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Em segredo, Israel mantém plantio de maconha medicinal na Galileia


Região citada na Bíblia por diversas vezes, as colinas da Galileia, em Israel, passaram a abrigar secretamente uma plantação de maconha voltada para fins medicinais.

Cercado por muros altos, câmeras de segurança e até um guarda armado, que protege o local de criminosos, o local camufla a plantação (que pode ser detectada apenas pelo cheiro, já que o aroma das plantas predomina na região).

O viveiro é mantido pela empresa Tikkun Olam, que tem parceria com cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, e é responsável pelo desenvolvimento de um tipo de maconha medicinal que neutraliza a substância THC, gerando efeitos cognitivos e psicológicos conhecidos como "barato".

A cannabis tem mais de 60 componentes chamados canabinóides. O THC é talvez o mais conhecido das pessoas, menos para os seus benefícios médicos e muito mais para suas propriedades psicoativas.

Mas a planta também contém o canabidiol, ou CBD, uma substância que alguns pesquisadores dizem que tem benefícios anti-inflamatórios que podem ser aplicados no tratamento de doenças como artrite reumatoide, colite, inflamação do fígado, doenças cardíacas e diabetes.

A maconha é uma droga ilegal em Israel. A utilização terapêutica foi permitido a partir de 1993, de acordo com o Ministério da Saúde. Atualmente, a cannabis é usada em Israel para o tratamento de 9 mil pessoas que sofrem de doenças como câncer, Parkinson, esclerose múltipla, doença de Crohn e transtorno de estresse pós-traumático, de acordo com o governo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pesquisa aponta que uso de Maconha é crescente na Europa, enquanto o uso do haxixe parece diminuir


O consumo de maconha está aumentando  na Europa, enquanto o uso de haxixe tem vindo a diminuir, conclui um relatório europeu  que foi divulgado hoje. O estudo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) refere que a Europa, um dos maiores consumidores mundiais de cannabis – cujas folhas secas são popularmente designadas como maconha-, tornou-se também um importante produtor de Cannabis.

Em dois terços dos países europeus, o consumo de cannabis é agora dominado pela maconha, enquanto a sua resina (haxixe) ocupa um terço das preferências dos consumidores. Em dez países, maioritariamente do Leste europeu, a marijuana atinge mesmo 90 por cento da cannabis consumida.

Bélgica, Dinamarca, Países Baixos, Finlândia e Reino Unido são, por outro lado, países onde as autoridades detectaram um “forte aumento” da produção doméstica de cannabis com intuito de fumar suas flores secas, conhecida como maconha.

Esta realidade levou as polícias a fazerem parcerias com as entidades fornecedoras de eletricidade ou autoridades do setor habitacional, de modo a detectaram a existência de plantações domésticas.

Na Europa, para produzir maconha basta ter acesso a água e a eletricidade, imprescindíveis para a produção das suas plantas, em que são já usadas processos sofisticados de produção, como a hidroponia, que usa apenas água, dispensando o recurso a terra.

As estatísticas indicam que quase um em cada quatro europeus com idade entre os 15 e os 64 anos já experimentaram cannabis, o que corresponde a 78 milhões de pessoas, e cerca de nove milhões de jovens (entre os 15 e os 34 anos) disseram tê-la consumido no último mês.

Quando ao haxixe, a maior parte desta variante da cannabis consumida na Europa é produzida em Marrocos e entra no continente principalmente através das fronteiras de Portugal e Espanha.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O uso da Maconha está ligado a evolução do Homem


Neste final de semana, a “Marcha da Maconha” tomou as ruas do Brasil com o tema ‘Basta de guerra - por outra política de drogas’.  A Marcha ocorreu em São Paulo, Curitiba, Manaus, Salvador, Aracaju, Recife e Natal, levando milhares de usuários e simpatizantes aos holofotes da mídia. Anteriormente, o evento já tinha acontecido em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Niterói, Fortaleza, entre outras cidades.

Não que eles sejam a favor a liberação. Esse termo é errôneo, segundo especialistas. O correto seria debater a regulamentação, a legalização da erva, já que, com isso, o governo teria total controle e deixaria os traficantes à mercê dos viciados mais corajosos – aqueles que, ainda com a maconha legalizada, comprariam nas bocas-de-fumo, que seria uma pequena parcela, em consideração ao que se acontece hoje, quando o tráfico tem total domínio sobre a produção e distribuição da maconha.

O intuito dessas marchas e passeatas é o seguinte: a guerra contra o tráfico fracassou. Um exemplo disso é a ‘War on Drugs’ (em tradução livre, guerra contra as drogas) dos EUA, que desde 1971 declarou que nenhum ilícito poderia ser consumido naquele país.

Não deu certo, pois 40 anos mais tarde, os efeitos da violência são piores do que os da droga. Para muito teóricos é hora de paz, finalmente, já que nesse tempo todo, nunca se conseguiu diminuir a demanda e a oferta.

Caminhando junto

A História da Humanidade se confunde com o percurso das drogas ao longo dos séculos.
Desde que o homem se entende por gente, tenta de alguma forma ‘fugir’ da realidade, seja consumindo álcool ou alguma outra substância psicotrópica.

Guerras foram deflagradas por reis bêbados e muros derrubados com o ácido no sangue, o tão popular LCD no final dos anos 1960.

Mas o que propõe o documentário ‘estrelando’ o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o aclamado 
“Quebrando o Tabu”, lançado no ano passado, não é precisamente que todos tenham o direito a consumir drogas.

O que aborda o longa-metragem é justamente a guerra falida contra o tráfico. Foi feito de tudo um pouco – repressão e policiamento ostensivo, apreendendo inclusive apenas consumidores de entorpecentes – e nada tem realmente surtido efeito.

E por trás do narcotráfico, o que existe? Necessariamente, o crime organizado e a corrupção.
Um exemplo disso foi a Lei Seca dos EUA, nos anos 1920, com o gangster Al Capone comandando mais e mais casas de jogos de azar, prostíbulos e a venda proibida de álcool. Nenhuma medida de fato funcionou e o tráfico só acendeu a discussão de que quando o consumidor quer, ele tem – legal ou ilegalmente.

Fernando Henrique Cardoso, que também é sociólogo e está à beira de seus 81 anos, afirma que agora é necessária a regulamentação da maconha, que tem, segundo estudos médicos, menos risco de vício, sendo também menos prejudicial que o álcool para o corpo.

“Há um mito de que quem fuma maconha vai passar para drogas mais pesadas. Isso acontece porque o usuário vai até a boca-de-fumo e o mesmo traficante que vende a erva é aquele que oferece a cocaína e o crack, por exemplo. A maconha deveria ser regulada, como o álcool e o cigarro”, diz o ex-presidente, o qual afirmou que nunca pôs uma seda na boca.

Benefícios

A cannabis sativa, nome científico da erva que é consumida desde o século III a.C., tem seus benefícios. Conforme estudos – ela inclusive é usada para fins medicinais –, a maconha ajuda quem tem esclerose mútipla, câimbra, espasmos dolorosos e tiques nervosos.

E ainda aumenta o apetite e o bem-estar de quem tem qualquer tipo de câncer. Em 16 estados dos EUA, o uso medicinal dessa “droga” já foi legalizada.
Pacientes

O intuito-mor da regulamentação da maconha é tratar quem é consumidor como paciente e não como um criminoso. Isso já pode ser constatado em pelo menos 14 países da Europa – por lá, Portugal, Espanha e República Tcheca, por exemplo, já descriminalizaram a posse da maconha para uso pessoal.
Por aqui, passos importantes foram dados, bem como no caso da Argentina e do México.
Cerca de 50% de jovens universitários já consumiram drogas

Uma pesquisa feita em 2010 apontou que quase a metade dos universitários do Brasil já teve acesso a drogas. Os dados de que 48,7% deles já usaram algum ilícito são do 1º Levantamento Nacional sobre o 

Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Segundo o estudo, quando entram na universidade, os jovens estão mais vulneráveis e suscetíveis a 'novas experiências'. A pressão grupo ou mesmo a autonomia conquistada pelos jovens abre brechas e os deixam mais suscetíveis ao uso da droga.

O levantamento, feito com mais de 18 mil universitários de mais de 100 instituições de ensino, ainda revelou que o consumo de álcool e drogas é mais frequente nos universitários do que na população em geral – entre as drogas mais 'provadas' por eles estão a maconha, a cocaína, as anfetaminas, os opiáceos e o êxtase.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pesquisa afirma que o ar de algumas regiões da Itália são repletos de substâncias como Maconha e cocaína


Um grupo de cientistas do Centro de Estudo da Poluição Atmosférica, de Roma, chegou a uma conclusão sensacional – o ar das grandes cidades italianas contém não somente gás carbônico e partículas sólidas mas também vestígios de substâncias narcóticas – cocaína e maconha. A correspondente da Voz da Rússia Marina Tantuchian pediu ao professor Ângelo Cecinato, dirigente do grupo de pesquisadores, que revele os pormenores do estudo.

Professor Cencinato, por que razão resolveu levar a cabo uma pesquisa tão fora do comum?

Não tinha em vista a busca especial de drogas na atmosfera. Mas, ao estudar a poluição do meio ambiente em diversas cidades, em particular, em Roma, descobri pela primeira vez no ar vestígios de cocaína. A curiosidade fez que aprofundasse neste problema mediante a ampliação da geografia e desenvolvimento de instrumentos analíticos a fim de continuar a revelar na atmosfera de diversos países do mundo não somente vestígios de cocaína, mas também de cannabinoides, de nicotina e de cafeína.

A nossa análise foi efetuada em condições normais de laboratório. A primeira fase incluía a recolha de partículas de poeira atmosférica, a segunda, a realização da análise química com ajuda de um conjunto simples de tecnologias e instrumentos que se utilizam praticamente em todos os laboratórios do mundo especializados em semelhantes pesquisas na esfera de poluição do meio ambiente.

Quais os fatores que determinam a concentração de substâncias narcóticas na atmosfera?

Estou certo de que o fator principal e determinante é o consumo de drogas, - tanto as proibidas como as legais. A resposta é uma só – o volume de drogas no ar que nós respiramos depende diretamente do consumo destas substâncias e da densidade da população que vive num certo território. Na Itália temos feito as análises em diversas cidades. Constatamos que a concentração mais alta de substâncias narcóticas se verifica nas regiões que têm fama de maiores consumidores de drogas. Quanto à Itália, o norte mais abastado lidera neste plano. No entanto, a concentração de drogas é muito alta também em Roma e em Nápoles. Quanto a outros países do mundo, posso afirmar a partir da base de dados à minha disposição, - embora não tivesse estudado todos os países do mundo, - que a América Latina, por exemplo, ultrapassa a Itália quanto ao teor destas substâncias na atmosfera. Na Espanha a situação é análoga à nossa.

Que influência exerce a existência destas substâncias no ar sobre a saúde humana?

Não fiz pesquisas especiais neste setor. Normalmente, a concentração destas substâncias não é bastante grande a ponto de causar lesões sensíveis mas seria também incorreto negar a existência de um efeito negativo. Por exemplo, até hoje ninguém estudou a concentração de nicotina no ar, embora o seu teor exerça, certamente, um certo efeito tóxico. Além do aspeto sanitário do problema, creio que o maior benefício que o nosso trabalho pode produzir é revelar as regiões com mais alto nível de abuso de drogas.

O professor Cecinato ressaltou à parte a disposição de colaborar com colegas dos outros países, incluindo a Rússia. Espera que a sua ajuda lhe permita estudar a situação também na Ásia e na América Latina, que estão, por enquanto, fora da esfera das suas pesquisas.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ator ganha advertência ao desembarcar com maconha nos EUA


O ator James Belushi, de Cougars, Inc, teve problemas ao desembarcar na ilha de Martha Vineyard, na costa de Massachusetts, na sexta-feira (06), com maconha. Os funcionários do Transportation Security Administration (TSA) encontraram a droga com ele.

De acordo com o site TMZ, James tentou usar seu cartão de maconha medicinal da Califórnia para validar o porte da droga, mas ele foi inútil no estado.

A polícia local de West Tisbury foi notificada, mas decidiu não tomar medidas já que a quantidade encontrada era muito pequena e a posse de maconha foi descriminalizada no estado de Massachusetts. O cigarro foi apenas confiscado pelas autoridades e James recebeu uma advertência.

O astro de 57 anos não é o único famoso que faz uso da erva. Brad Pitt admitiu recentemente que parou de fumar maconha na década de 90, quando ela começou a afetar sua carreira.

"Eu fumei muita erva, era profissional. No fim, eu não estava participando da vida... Eu estava fumando sozinho dentro de um donut, como um molusco. Eu fiquei revoltado com isso", disse ele.

Outros fumantes de maconha famosos incluem o rapper Snoop Dogg e músico de country Willie Nelson, que recentemente colaborou com a faixa Roll Me Up and Smoke Me When I Die, que se refere à droga.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Criminalizar usuário de Maconha é um verdadeiro fracasso


Criminalizar os usuários de maconha é um verdadeiro fracasso,  pois  força o mesmo a ter que recorrer ao mercado negro e ao mesmo tempo o afasta de qualquer tipo de programa social de redução de danos. Isto, porque o fato de ser proibido acaba gerando uma grande descriminação. Para grande parte dos médicos do Canadá, a Maconha deve ser legalizada de vez.

“Olhando para as drogas ilícitas apenas como uma base de abordagem da justiça criminal é um completo fracasso, disse o Dr. Robert Strang, diretor de Nova Scotia de saúde médico-chefe, co-autor do documento.

"Durante a última década, Portugal tem descriminalizou o uso de drogas e obteve algumas das mais baixas taxas de uso de drogas na Europa, sendo que conseguiram estabelecer alguns dos menores valores de danos sobre o aspecto de abuso de entorpecente", disse Strang.
Em contraste, o uso de drogas não diminuiu desde a criação do conceito de "guerra contra as drogas”, gastando-se mais de um trilhão de dólares em repreensão e armamentos de combate para esta guerra sem sentido.

Com as políticas de drogas duras, apenas levado para o lado da execução penal, faz com que o crime organizado ganhe cada vez mais dinheiro, fazendo com que consequentemente  cresça os problemas de violência e de enfrentamento entre gangues que disputam o controle do tráfico de drogas em uma determinada região.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os benefícios do cânhamo


Cannabis Sativa L. mais vulgarmente conhecida por Cânhamo, recurso natural com uma componente recreativa e cada vez mais medicinal. Mas não é da sua característica psicotrópica que estamos aqui para falar, é para falar das suas características como recurso natural . E para não criar mais confusões que fique já claro que o cânhamo industrial não contém níveis de THC (o componente tóxico na marijuana) capaz de alterar o estado de espírito normal de uma pessoa. Ainda mais, o cânhamo é uma cultura que é apoiada e subsidiada por leis da Comunidade Europeia e cultivado pelos países mais desenvolvidos da Europa.

O Cânhamo é uma das culturas primitivas mais antigas da civilização conhecida, uma das fibras mais fortes da natureza e tem uma das sementes mais nutritivas, considerada mesmo um super alimento. Mas a história do cânhamo não morreu com o Egito (por assim dizer), o cânhamo foi largamente cultivado por todo o mundo, nos EUA chegou mesmo a ajudar o país a sair de uma depressão económica e salvou muita gente de morrer à fome, aliás, durante essa altura era ilegal não cultivar o cânhamo. O Cânhamo tem sido cultivado por todos os países desenvolvidos mas apesar disso o potencial desta planta ainda não está a ser completamente utilizado.

Alimentação, Vestuário e Habitação, o básico necessário para viver, o Cânhamo pode fornecer isto e mais... Acessórios, Cosméticos, Combustível, Tintas, Colas, Plástico, Papel... e outras aplicações mais específicas. A utilização e potencialização do cânhamo podem tornar a nossa existência mais ecológica e sustentável.

Quem não se lembra das aulas de história e ouvir dizer que o cânhamo era utilizado nas velas e cordas dos navios durante os descobrimentos? Até cerca de 1971 o cânhamo foi cultivado em Portugal e foi isso que deu nome à indústria têxtil portuguesa, depois foi tornado ilegal com a "ajuda" do governo Americano que já tinha começado a sua luta contra os recursos naturais alternativos aos derivados do petróleo. Apesar disso, quando entrámos na UE, abrangidos agora por outras leis, o cânhamo voltou a ser legal para o cultivo. Porém a indústria transformadora do cânhamo em Portugal já havia morrido tornando a possibilidade de apoio comunitário em algo que é apenas “bonito” no papel. É neste momento que nos encontramos agora...

Para obter apoio da Comunidade Europeia além das sementes certificadas (garante o nível de THC legal) é preciso ter um acordo (contracto de compra/venda) com um Transformador Autorizado pelo Estado e estes transformadores só existem em França e em Espanha, por enquanto. 




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Maconha: entre liberdade de consumo e financiamento do tráfico


Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado no último dia 23 de junho, 190 milhões de pessoas em todo o globo haviam fumado maconha ao menos uma vez na vida em 2008, número equivalente ao da população brasileira. Sendo a maconha a droga ilícita mais consumida, seus usuários são muitas vezes apontados como responsáveis por boa parte do financiamento do atual mercado, que em sua maioria tem forte relação com a criminalidade e com a violência.

Durante muitos anos, reproduzimos essa equação simplista sem maiores reflexões, recitando por aí o principal mantra do proibicionismo: "Os usuários são os principais responsáveis pelo financiamento da violência". Muitos devem lembrar que, em 2007, ano de lançamento do filme "Tropa de Elite", era comum ver Capitão Nascimento afirmando "Quem matou esse cara aqui foi você! É você que financia essa m...!" enquanto esbofeteava o maconheiro e era aplaudido pela plateia nos cinemas.
Mas será que essa afirmação é 100% verdadeira? Será que hoje em dia é assim tão fácil por a culpa nos usuários de maconha pela manutenção do poder econômico dos traficantes?

Já no relatório de 2006, a ONU chamava atenção para transformações que têm ocorrido no cenário do uso de maconha desde a década de 1960, como o uso de técnicas de cultivo com lâmpadas e o desenvolvimento de novos híbridos da planta, que possibilitaram a redescoberta da cultura. A ONU destaca que isso não tem apenas transformado o mercado fornecedor da erva, mas também possibilitado a muitos usuários cultivarem a maconha que consomem.

A partir do crescimento do uso da internet, especialmente com o lançamento do Growroom, grupo que atua em defesa dos usuários de maconha, os brasileiros passaram a ter acesso a essas informações. Desde então, temos visto o crescimento do número de usuários cultivadores acusados injustamente de tráfico, muitas vezes permanecendo um período encarcerados até terem a inocência comprovada.

O caso do baixista Pedro Caetano, da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, preso com oito plantas e dez mudas na última quinta-feira, é mais um exemplo de como a lei vem sendo cumprida de forma abusiva e equivocada. Se por um lado o artigo 28 da lei 11.343 de 2006 determina que é vetada prisão nesses casos, vemos que o despreparo de policiais, delegados e outros operadores da lei ainda impede sua correta aplicação.

É óbvio que a maior parte dos usuários ainda compra, mas é cada vez maior o número de pessoas que buscam alternativas a esse circuito perverso. A sociedade brasileira precisa não apenas começar a perceber isso, mas estimular tal conduta. Já que em 2006 o Brasil retirou a pena de prisão para os usuários, não podemos continuar passando a mensagem de que não faz diferença se quem decide fumar maconha vai plantar em sua casa ou comprar numa boca de fumo.

No mínimo, a Lei 11.343 deve ser cumprida, e os usuários cultivadores não podem ser presos. Da forma como está hoje, estamos passando a mensagem de que o usuário que adquire tem que cumprir penas alternativas e que aquele cultiva deve ficar preso. Será mesmo que queremos fomentar uma sociedade na qual o Capitão Nascimento continuaria a ser aplaudido mesmo que desse tapas e xingasse um usuário que cultiva a maconha que consome?

*Sergio Vidal é antropólogo, escritor e trabalha no Growroom

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Uruguai: o país mais liberal das Américas


Estivemos recentemente revisitando o Uruguai, pacato e conservador vizinho, nas palavras do atual presidente José Mujica, ex-guerrilheiro Tupamaro que passou 14 anos nas prisões da ditadura militar.
Nos anos 70 foi o primeiro país que nos recebeu, na fuga da ditadura brasileira, a caminho do exílio. Na época, quem nos recebeu em Montevideo foi o ex-deputado Neiva Moreira, a quem reencontramos aqui no Congresso antes de seu falecimento, em idade avançada.

Hoje é o país mais liberal da América Latina. Casamento gay é liberado, consumo de drogas totalmente descriminalizado e lei despenalizando o aborto a caminho de ser aprovada no Parlamento.
Agora, poderá ser pioneiro também na solução do problema das drogas: governo e oposição estariam a favor de projeto de lei permitindo o cultivo caseiro para consumo próprio de até nove plantinhas de cannabis.

Enquanto isso, do lado de cá da fronteira, a polícia continua correndo atrás de estudantes fumando baseado, como ocorreu recentemente na USP, e gastando nosso dinheiro dos impostos para combater as consequências e não as causas do tráfico de drogas – uma vergonha nacional.

Quando a companheira Dilma vai enfrentar o problema de frente, descriminalizando o consumo e permitindo o plantio de maconha para uso pessoal e medicinal, acabando de vez com o narcotráfico pelo estrangulamento deste lucrativo ramo de negócios?

PS – Aproveitamos para revisitar Buenos Aires, via Colônia de Sacramento, e relembrar os tempos heróicos dos companheiros do ERP e Montoneros, muitos mortos, desaparecidos. Acabam de condenar o ultimo general ditador, o velho Bignone que aterroziou um hospital em 1976. O ex-presidente Videla também está na cadeia, condenado a prisão perpétua. E lá também a maconha está descriminalizada há cinco anos.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

República Tcheca: o novo paraíso do Leste Europeu


Na República Tcheca, o consumo de entorpecentes é tolerado. A posse de até 15 gramas de maconha ou 1,5 grama de heroína não implica punição. E cresce o movimento em prol da legalização da erva.

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Para alguns, a vida começa somente à noite, na capital da República Tcheca. Um point bem movimentado é o Cross Club, com três andares e apresentações de DJs e bandas musicais.

O clube acabou se transformando no local ideal para bandas alternativas e novos músicos que experimentam um estilo musical próprio e, vez por outra, também outros estados de consciência: "A cultura musical está muito associada ao uso de drogas. Sempre foi assim", diz o dono da casa noturna, Tomas Zdenek, ou "Lorenzo", como chamam os habitués do Cross.

"Muitos músicos só chegaram onde estão graças às drogas. Alguns dos que se apresentam aqui fumam maconha, e o público também, claro", diz o proprietário tcheco.
Sem medo da polícia

Localizado no bairro de Holešovice, o Cross Club não é somente um ponto de encontro. Ele incorpora um estilo de vida, pois em Praga nasceu e se desenvolveu todo um milieu, com restaurantes, clubes e lojas próprios.

Para o público jovem e alternativo, Praga tornou-se uma referência. Os visitantes vêm de todas as partes do mundo curtir a música, fumar maconha e experimentar uma sensação de liberdade.

Um terço dos frequentadores do Cross Club vem do exterior, calcula Lorenzo. "Muitos gostam de poder fumar maconha livremente nas ruas e nos bares e clubes. Isso não existe nos seus países de origem, onde têm de se esconder, pois têm medo de ter logo que passar uma noite na delegacia, por causa de uns gramas de maconha. Felizmente aqui é diferente", pondera.

Estatísticas

Os entorpecentes são proibidos na República Tcheca, mas a lei define limites bem "camaradas" para quem for pego com drogas. Embora representando infração, o porte de 15 gramas de maconha, um grama de cocaína ou 1,5 grama de heroína não implica consequências penais.

Entretanto a polícia da capital tcheca acompanha a tendência com preocupação. A estatística mais recente aponta o crescimento do cultivo da cannabis, a planta da maconha. Em 2010 foram iniciadas 145 plantações para fins comerciais, dois terços a mais que no ano anterior.

O meio das drogas mudou drasticamente na República Tcheca, constata Jakub Frydrych, coordenador de um comando especial da polícia na luta contra o narcotráfico. "No início dos anos 1990, a coisa era até romântica, os pequenos cultivadores trocavam as ervas entre si, o clima era mais espiritual-filosófico", analisa o agente.

Atualmente, no entanto, o crime organizado é que domina a cena. O comando antidrogas de Frydrych dispõe de 180 funcionários, distribuídos por toda a República Tcheca. Traficantes de países vizinhos como a Alemanha e a Polônia também acorrem para se abastecer com a droga.

Pela legalização da maconha

A maconha é, hoje, um fenômeno de massa. Porém Frydrych se preocupa mesmo é com a heroína e a anfetamina pervitin. O estimulante sintético é produzido em laboratórios da República Tcheca sem necessidade de equipamento muito caro ou complicado: "Qualquer um pode produzir pervetin. Há fabricantes até mesmo em vilarejos. É difícil para nós controlarmos", relata Frydrych.
Tanto os políticos quanto a polícia rejeitam veemente o rótulo "Amsterdã do Leste" dado à capital tcheca. 

O que não prejudica em nada a atratividade de Praga entre os consumidores. Para Frydrych, o grande problema é a tolerância social para com as drogas no país. Tradicionalmente o consenso maior é em relação à maconha: quase ninguém se importa que se fume um baseado em público.

E este é o ponto de partida dos defensores da legalização irrestrita da maconha. Todos os anos eles organizam uma grande passeata em Praga, sempre na primavera. Este ano o grupo pró-cannabis pretende mobilizar cerca de 8 mil pessoas para a manifestação.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Conheça quem foi Milton Friedman, o principal defensor da liberação completa das drogas

Quem trabalhou a discussão da liberação da comercialização das drogas com mais lucidez foi o economista Milton Friedman, pai do liberalismo mundial, que defendia já na década de 70 a liberação completa das drogas e avisava que o mundo iria entrar em uma onda de violência jamais vista. Dito e feito.

Nesta entrevista Friedman falava justamente disso, e ainda vai mais além, quando perguntado sobre o mal causado pelo crack. Ele afirmou que a única razão desta droga existir era porque a cocaína era muito cara, e daí o crack ocupou o seu mercado.

Além de Friedman, a revista inglesa Economist foi a grande incentivadora do debate, defendendo a mesma posição. Atualmente a ONU tem alertado que é preciso abrir o debate, principalmente em função da derrota dos Estados no combate ao narcotráfico, que fez mais vítimas no mundo do que a Segunda Guerra Mundial.

Esta posição não é a favor do uso das drogas, mas é algo semelhante ao que aconteceu com a liberação do álcool. Ninguém é idiota a ponto de defender a embriaguez do cidadão, mas aprender com os erros do passado, onde a proibição do uso fez com que a criminalidade explodisse nas grandes cidades americanas, já é um bom começo.

A posição de Friedman inclusive é um bom ponto para entender que liberalismo não tem nada a ver com esquerda ou direita, mas com uma forma de ver o mundo. Os míopes ideológicos, que não enxergam um palmo além de sua “torcida política organizada”, acreditam que ser liberal é ser de direita.

Abaixo coloco uma outra entrevista de Milton Friedman sobre este assunto. Para quem não fala inglês e não conseguiu acompanhar a entrevista em vídeo, é uma boa oportunidade para saber os fortes argumentos.

Paige: Tratemos primeiro do problema da legalização das drogas. Como é que veria a América mudar para melhor com a aplicação desse sistema ?

Friedman: Veria a América com metade das prisões atuais, com metade do atual número de prisioneiros, com menos 10 milhares de homicídios do que aqueles que hoje existem, cidades interiores onde existiria a hipótese da gente pobre que nela residem viver sem medo do que possa acontecer às suas vidas, cidadães que poderiam ser respeitados e que hoje são viciados e que sujeitos a se tornarem criminosos de modo a conseguirem a sua droga preferida, alem de poderem ser capazes de conseguirem a mesma com a certeza de que ela não se encontra adulterada. Você sabe, a mesma coisa que aconteceu durante a proibição do álcool está a acontecer agora.

Durante a proibição do álcool, as mortes devido à ingestão excessiva de álcool, ou devido a envenenamento provocado pela sua adulteração, subiram significativamente. De forma semelhante, por efeito da proibição das drogas, verifica um incremento das mortes por overdose e devidas à ingestão de substancias adulteradas.

Paige: Na sua perspectiva, como é que a legalização poderia afectar de forma adversa a América?

Friedman: O efeito adverso que a legalização pode ter é que bastante provável que possa vir a existir mais gente a consumir as drogas atualmente ilícitas. O que não é de todo certo que tal se verifica-se. Mas se fossem legalizadas, existiria a destruição quase total do mercado negro, o preço das drogas diminuiria drasticamente. E visto como economista verifica-se que: preços baixos tendem a gerar mais procura. Mas no entanto, existem algumas qualificações muito fortes para serem feitas a este respeito. O efeito da criminalização, da construção de criminosos das drogas, é conduzir as pessoas das drogas mais suaves para as drogas mais fortes.

Paige: De que forma?

Friedman: A liamba é uma substancia muito pesada e volumosa, e por esse motivo é relativamente fácil de interditar. Os guerreiros da guerra à droga têm sido melhor sucedidos na interdição da liamba do que, por exemplo da cocaína. Deste modo os preços da liamba aumentaram e ela ficou menos acessível. Esta situação incentivou por um lado a cultura de variedades mais potentes de liamba e por outro as pessoas foram conduzidas da liamba para a heroina, a cocaína ou crack.

Paige: Vamos então considerar agora outra droga, o crack.

Friedman: Na minha opinião, o crack nunca teria existido se não existisse a proibição. Porque é que o crack foi criado? Segundo compreendo, o método preferido de consumir cocaína era a inalação através das narinas, método esse que se tornou muito caro e para além disso, existia uma procura desesperada de uma forma de a acondicionar…

Paige: Os empresários?

Friedman: Claro, eles são empresários. As pessoas que estão a dirigir o tráfico de drogas não são diferentes de todas as outras, com exceção das seguintes diferenças: eles têm maior habilidade empresarial e menor preocupação em não prejudicar os outros. Dessa forma eles são mais irresponsáveis. Mas estão no negócio e estão a tentar obter o máximo que conseguirem. Sendo assim, descobriram que uma boa forma de fazer dinheiro era diluir o seu crack com bicarbonato de sódio ou outra coisa qualquer, queria dizer cocaína, o que quer seja que eles façam, eu não conheço o processo, de modo a que a possam vender no mercado em doses de 5 ou 10 dólares.

Paige: Falemos mais sobre isso daqui a pouco, mas com respeito ao crack, considerando o fato de ser muito viciante e considerando o fato de…

Friedman: Isso é muito dúbio. É viciante, mas com respeito ao crack o que compreendi de todas as evidencias médicas é que o crack não é mais viciante do que as outras drogas. Na realidade a droga mais viciante é o tabaco.

Paige: Bem, deixe-me refazer a pergunta. Todas as informações que tenho visto sobre ele sugerem que é uma droga que é muito agradável.

Friedman: Absolutamente. Sem duvida.

Paige: E o seu efeito é também muito curto.

Friedman: Sim.

Paige: E é muito dispendiosa porque as múltiplas doses custam muito dinheiro. A minha questão é: se as drogas fossem legalizadas e se a cocaína em forma de crack estivesse disponível a baixo custo, não poderia ser desvastante já que é tão agradável, estou a dizer que mais pessoas a poderiam obter e prolongar o seu consumo por períodos de tempo mais alongados?

Friedman: Bem, talvez. Ninguém consegue dizer com certeza o que aconteceria nessa situação. Mas eu penso que é muito dúbio que tal aconteça, porque todas as experiências recolhidas com as drogas legais indica que existe é uma tendência para as pessoas passarem das mais fortes para as mais fracas e não o contrário, assim como se progride da cerveja normal para a cerveja light. Essa é a tendência: de cigarros sem filtro para cigarros com filtro e baixo teor de alcatrão, e por ai adiante. Mas não podemos excluir que possa acontecer o que disse, mas, e este é um mas muito importante, as consequências prejudiciais do seu consumo seriam devido a várias razões muito menores que os que se verificam atualmente.

Na realidade a coisa que mais me incomoda sobre o crack não é o que está a falar, são os "bebês do crack", porque isso é que é uma tragédia real. Eles são as vitimas inocentes. Mas se eles não escolheram ser "bebês do crack", na verdade os que nascem com o síndrome alcoólico fetal também não o escolheram menos.

Paige: Como você sabe, em relação a isso, já vivemos numa situação com proporções epidêmicas. Posso dizer-lhe que em Maryland, um em cada quatro bebés que chegam ao hospital são viciados.

Friedman: Mas eu digo-lhe que os "bebês do crack" não são necessariamente viciados, mas têm tendência para nascer com pouco peso, com tendência para sofrer algum retardamento mental, e por ai adiante. Mas você sabe que o numero de bebês em que isso se verifica devido ao álcool é muito maior. Então o mesmo problema surge ai. E é o que me incomoda.

Debaixo das atuais circunstancias, uma mulher que é viciada em crack e está grávida tem medo de recorrer a qualquer tratamento pré-natal porque se tornaria a si própria numa criminosa, e estaria sujeita a ir para a cadeia. Agora suponha que existiria uma mudança de política, e que as drogas eram legalizadas. Com a legalização, essa inibição deixaria de existir. E você sabe que mesmo as mães viciadas em crack tem sentido de responsabilidade em relação aos filhos.

Não tenho duvidas que nessas circunstâncias seria possível ter um sistema de cuidados pré-natais muito mais eficaz, um sistema muito mais eficaz para persuadir as pessoas que consomem drogas a não ter filhos ou a não consumirem no período da gravidez e da aleitação.

Paige: Vamos voltar-nos agora para a primitiva gênese da sua crença de que as leis das drogas podem não estar a funcionar na forma como a nação tinha esperança que funcionassem. Fale-me acerca dos elementos que observou anteriormente e que mudaram a opinião ou a sua forma de pensar.

Friedman: Bem, eu não disse "mudaram", eu diria melhor "formaram" a minha forma de pensar, já que não me lembro de alguma vez ter sido a favor da proibição quer de álcool ou de drogas. Eu cresci, sou suficientemente velho para ter vivido uma parte do período da proibição.

Paige: E lembra-se dele?

Friedman: Eu lembro-me de uma ocasião em que um sujeito da Suécia, estudante na Universidade de Columbia quis levar-me à um restaurante para comer uma refeição sueca e deu-me a conhecer uma bebida sueca chamada aquavit. Este restaurante era o mesmo em que o sujeito consegui o aquavit durante a proibição; eles vendiam-no a ele. E isto logo após a abolição da proibição. Nós fomos lá e ele pediu-lhes algum aquavit. Eles disseram. "Oh, não, nós ainda não temos a nossa licença". Numa ultima tentativa ele falou com eles em sueco e convenceu-os a levar-nos às traseiras onde nos deram um copo de aquavit. Agora isto mostra o absurdo que era a proibição.

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