Na República Tcheca, o consumo de entorpecentes é tolerado.
A posse de até 15 gramas de maconha ou 1,5 grama de heroína não implica
punição. E cresce o movimento em prol da legalização da erva.
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Para alguns, a vida começa somente à noite, na capital da
República Tcheca. Um point bem movimentado é o Cross Club, com três andares e
apresentações de DJs e bandas musicais.
O clube acabou se transformando no local ideal para bandas
alternativas e novos músicos que experimentam um estilo musical próprio e, vez
por outra, também outros estados de consciência: "A cultura musical está
muito associada ao uso de drogas. Sempre foi assim", diz o dono da casa
noturna, Tomas Zdenek, ou "Lorenzo", como chamam os habitués do
Cross.
"Muitos músicos só chegaram onde estão graças às
drogas. Alguns dos que se apresentam aqui fumam maconha, e o público também,
claro", diz o proprietário tcheco.
Sem medo da polícia
Localizado no bairro de Holešovice, o Cross Club não é
somente um ponto de encontro. Ele incorpora um estilo de vida, pois em Praga
nasceu e se desenvolveu todo um milieu, com restaurantes, clubes e lojas
próprios.
Para o público jovem e alternativo, Praga tornou-se uma
referência. Os visitantes vêm de todas as partes do mundo curtir a música,
fumar maconha e experimentar uma sensação de liberdade.
Um terço dos frequentadores do Cross Club vem do exterior,
calcula Lorenzo. "Muitos gostam de poder fumar maconha livremente nas ruas
e nos bares e clubes. Isso não existe nos seus países de origem, onde têm de se
esconder, pois têm medo de ter logo que passar uma noite na delegacia, por
causa de uns gramas de maconha. Felizmente aqui é diferente", pondera.
Estatísticas
Os entorpecentes são proibidos na República Tcheca, mas a
lei define limites bem "camaradas" para quem for pego com drogas.
Embora representando infração, o porte de 15 gramas de maconha, um grama de
cocaína ou 1,5 grama de heroína não implica consequências penais.
Entretanto a polícia da capital tcheca acompanha a tendência
com preocupação. A estatística mais recente aponta o crescimento do cultivo da
cannabis, a planta da maconha. Em 2010 foram iniciadas 145 plantações para fins
comerciais, dois terços a mais que no ano anterior.
O meio das drogas mudou drasticamente na República Tcheca,
constata Jakub Frydrych, coordenador de um comando especial da polícia na luta
contra o narcotráfico. "No início dos anos 1990, a coisa era até
romântica, os pequenos cultivadores trocavam as ervas entre si, o clima era
mais espiritual-filosófico", analisa o agente.
Atualmente, no entanto, o crime organizado é que domina a
cena. O comando antidrogas de Frydrych dispõe de 180 funcionários, distribuídos
por toda a República Tcheca. Traficantes de países vizinhos como a Alemanha e a
Polônia também acorrem para se abastecer com a droga.
Pela legalização da maconha
A maconha é, hoje, um fenômeno de massa. Porém Frydrych se
preocupa mesmo é com a heroína e a anfetamina pervitin. O estimulante sintético
é produzido em laboratórios da República Tcheca sem necessidade de equipamento
muito caro ou complicado: "Qualquer um pode produzir pervetin. Há
fabricantes até mesmo em vilarejos. É difícil para nós controlarmos",
relata Frydrych.
Tanto os políticos quanto a polícia rejeitam veemente o
rótulo "Amsterdã do Leste" dado à capital tcheca.
O que não prejudica
em nada a atratividade de Praga entre os consumidores. Para Frydrych, o grande
problema é a tolerância social para com as drogas no país. Tradicionalmente o
consenso maior é em relação à maconha: quase ninguém se importa que se fume um
baseado em público.
E este é o ponto de partida dos defensores da legalização
irrestrita da maconha. Todos os anos eles organizam uma grande passeata em
Praga, sempre na primavera. Este ano o grupo pró-cannabis pretende mobilizar
cerca de 8 mil pessoas para a manifestação.
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